O Encontro com o Maestro

Texto e Fotos:
Marco Valerio da Costa


Mel Krieger, conhecido mundialmente como Maestro
 

       Ano após ano, a Patagônia recebe muitos pescadores de toda a parte do mundo por conta da temporada de pesca de trutas e salmões, que inicia-se sempre em novembro (segunda semana) e termina em meados de abril do ano seguinte. A abertura da temporada é uma verdadeira festa, ocorrendo um Congresso nos dias que a antecedem, com diversas atividades vinculadas à pesca.

 
 

       Este ano, entretanto, o Congresso que ocorreria na cidade de Bariloche havia sido cancelado e sendo apenas mantido o Exame de Certificação para Instrutores de Flyfishing pela Mel Krieger International Flycasting and Flyfishing School.

  Bariloche
 
Bariloche  

       Fazer este exame era algo que eu vinha sonhando e perseguindo há algum tempo e, ainda, voltar a pescar num dos paraísos mundiais da pesca com mosca era uma oportunidade impar.

 

       Bariloche é conhecida dos brasileiros muito mais pela temporada de esqui do que por outros esportes, entretanto, é chamada de Capital da Patagônia, dada a riqueza de pontos turísticos e pela variedade de paisagens encontradas em uma só região. Está localizada na província de Rio Negro, a margem do lago Nahuel Huapi, é cercada por diversos parques, lagos e rios, além da cordilheira dos Andes que permite uma série de atividades voltadas ao turismo de aventura, como trecking, cavalgada, rafting, esportes à vela e evidentemente a pesca esportiva (em diversas modalidades). Tem uma vida noturna intensa, pois a cidade oferece diversos restaurantes, boates, cassinos e shows além de um comércio bastante variado.

 
 

       Chegando na cidade, na véspera do exame, procurei por Arturo Dominguez (que era a pessoa responsável pela organização do evento), mas não o encontrei. Fui para o flyshop de um velho conhecido de outras idas a Patagônia: Oscar Baruzzi, onde eu poderia buscar as informações necessárias que me faltavam. A expectativa e ansiedade já tomavam conta de mim.

 
Clube Caça e Pesca
 
Sala de Troféus  

     No dia seguinte, saí bem cedo do hotel e caminhei até o Club de Caza y Pesca de Bariloche, local onde seria realizado o exame. Lá me encontrei com os instrutores argentinos que também vinham para participar do evento. Na seqência, chegaram Mario Capovia, Nicolas Cafaro, Guillermo Ricigliano, Rhea Topping e Mel Krieger. Estes seriam os examinadores. Um breve e descontraído bate papo e o início do exame.

 

       Objetivando avaliar a capacidade de cada um em instruir, o Exame de Certificação foi dividido em quatro etapas: No período da manhã, um debate entre os instrutores e examinadores; e uma prova escrita com 45 questões. No período da tarde, o exame prático com cerca de 35 arremessos diferentes; e, por fim, uma simulação de uma aula onde teríamos que explicar e demonstrar alguns conceitos para os nossos examinadores.

 

       O grupo estava composto por 11 instrutores de diversos locais da Argentina, que já trabalhavam como guias de pesca ou em escolas de pesca e, por mim, único brasileiro daquele grupo.
 
       Na realização da prova prática, Mel e os demais examinadores reuniram os instrutores para passar alguns detalhes.

  Área do exame
 

       Cada participante seria avaliado por dois examinadores: um da Escola de Mel Krieger (o próprio Mel ou Rhea Topping) e outro da AAPM - Associação Argentina de Pesca com Mosca - (Mário Capovia ou Nicolas Cafaro). Diversos arcos (alvos) foram colocados no gramado em diferentes distâncias. Tínhamos uma área de aquecimento, onde podíamos executar arremessos e descontrair um pouco.

 
Rhea e Nicolas   Área de aquecimento
 

       Os meus examinadores foram Mel Krieger e Mário Capovia. Teríamos que atingir 80% de aproveitamento e isso não seria tarefa fácil. Ouvi, então, uma outra pergunta, sobre o equipamento que eu usaria Respondi que era um protótipo (de titânio-carbono) de uma vara nova da Top Marine, feita com exclusividade para o mercado brasileiro, que eu havia levado para testar nas pescarias. Isso causou uma certa surpresa e espanto nele, pois me disse que o correto seria executar os exercícios com um equipamento que eu estava acostumado a usar.

  Mel e Mário
 
 

     O exame começou. O tempo foi passando, os exercícios sendo executados. Logo em seguida alguns conceitos que eu deveria passar, algumas demonstrações de como aqueles conceitos deveriam ser aplicados, mas não ouvi nenhuma palavra de incentivo ou correção.

 
 

       Terminei aquilo achando que eu era o pior dos instrutores. Pensando se não teria sido melhor ter apenas ido pescar? A resposta estava guardada para mais algumas horas, pois teríamos um jantar de confraternização e lá saberíamos o resultado.
 
       Por volta das nove da noite, nos reunimos novamente na sede do clube. Era hora da divulgação dos resultados.

 
  Instrutores do grupo
 

       Mel Krieger chamou a todos e comunicou o resultado: dos 12 inscritos, 7 haviam sido aprovados. Foi a primeira vez que vi aquele homem de 82 anos realmente triste. Informar que 5 não haviam sido aprovados não foi um comunicado fácil nem agradável. Em seguida, Mel passou a chamar os aprovados. Um após outro foram recebendo seu certificado das mãos do próprio Mel e também um Certificado da AAPM, entregue por Mario Capovia, Vice-Presidente daquela entidade. Após o sexto aprovado, ouvi então aquelas palavras: "E, finalmente, gostaria de chamar um sujeito muito estranho, que saiu do Brasil para vir participar aqui deste exame. Marco Valério da Costa. Eu o conheci no Brasil, pude conviver algum tempo com ele lá e criamos uma boa amizade. Parabéns!!!." Para mim aquelas palavras foram especiais e me encheram de orgulho. Eu tinha conseguido atingir meu objetivo e realizar um grande sonho. Após a entrega dos certificados e seguindo a tradição, Mel pegou um saco contendo diversos "amuletos mágicos" e pediu para cada um retirar o seu. Aquilo traria sorte para cada um de nós.

 
 

       Durante o jantar, tive ainda oportunidade de rever alguns velhos amigos e de fazer novos contatos. Em um determinado momento Jaime Rios, diretor do Clube de Caça e Pesca me chamou de lado e me convidou para pescar.
 
       Na manhã seguinte partimos para Pichi Leufú, um arroio próximo a Bariloche, repleto de trutas arco-íris e marrons.
 
       Mas isso já é outra história.

       Obs: Parte do texto acima foi publicada na revista Top Pesca Magazine número 8.
 
Agradecimentos:

Top Marine
Equipamentos cedidos: Varas Protótipo TC#6 e Peacemaker #4, 6 e 8; carretilhas Plus.
 
MTK
Roupas e acessórios
 
Dicas:

INFORMAÇÕES GERAIS:
SECRETARIA DE TURISMO y MEDIO AMBIENTE
DIRECCION DE TURISMO
Em Bariloche, localizado no Centro Cívico.
 
Licenças de pesca:
São obrigatórias e podem ser retiradas tanto para diária como para toda a temporada (novembro a abril). US$10,00 (diária) e U$100,00 (temporada).
 
Alimentação:
Há diversas opções de restaurantes e o preço médio por pessoa varia entre U$ 5,00 a U$ 15,00.
 
Hospedagem: Hotel San Remo
Preço da diária por pessoa na baixa temporada c/ café da manhã: U$ 20,00.
 
Cuidados Pessoais:
O pescador deve levar todo medicamento de que necessitar, pois, geralmente, os preços de remédios são mais caros que no Brasil. Os usos de protetor labial e hidratante são recomendados, mesmo na primavera ou no verão.
 
Informações adicionais, dicas, críticas ou sugestões, podem ser enviadas ao e-mail do autor: marcovcosta@ig.com.br